O livro de AIRTON MONTE – Moça com Flor na Boca (Fortaleza, Edições Funcet, 2004), compreende um conjunto de crônicas por ele publicadas no Jornal O Povo, de Fortaleza, onde mantém uma coluna diária, na qual, ora expõe a alma da cidade e as suas mazelas, ora a sua dramática e humana nervura de artista, colocando, às vezes, a sua própria cama na varanda.
AIRTON MONTE é um contista uno e plural a um só tempo. É por igual um novelista de largo tirocínio. E poeta, talvez, em uma proporção que ele próprio desconhece e que os seus leitores ignoram. O dom dos talentos que Deus lhe confiou nessa área – a da literatura – fez de AIRTON MONTE um dos melhores escritores do Ceará na atualidade.
Psiquiatra por necessidade e artesão do verbo por imperativo de sua vocação interior, Airton é autor de livros de contos e de poemas que o credenciam. E de novelas e peças teatrais que o levaram às luzes da ribalta. É discreto, contudo, e não faz o mínimo esforço para divulgação de sua obra, ao ponto de não ter seu nome referido em dicionários e antologias e outros objetos culturais dessa natureza.
Vive AIRTON MONTE as aventuras do seu imaginário. E as muitas alegrias da vida que sabe celebrar como poucos. É um artista na melhor acepção do termo. E um boêmio que sabe o sentido das travessias humanas e bem assim os seus emblemáticos ritos de iniciação e de passagem.
Particularmente, não sou da opinião de que esse seu novo livro, feito, como se observa, sem uma pesquisa rigorosa da sua produção no território da crônica, em mais de cinco anos de atuação, seja um espelho fiel dos seus melhores dotes. É, no entanto, no caso específico de AIRTON MONTE, o melhor livro que podia ser feito: uma seleção a partir de alguns guardados de fundo de gaveta. O resto já pertence ao vento, além, muito além do nevoeiro.
E o que fica? Fica o pouco resguardado nestes alfarrábios, neste soberbo livro que é também a menina dos olhos de ANASTÁCIO SOUSA, o editor e mecenas que AIRTON MONTE há muito merecia. E que não chegou tarde, felizmente, pois de AIRTON temos ainda muito a receber. E a ouvir. E que aqui se entenda, por último, como procedente o seguinte: não vou fazer uma dissecação do texto do cronista. Nem aborrecer os leitores, falando de recortes técnicos que às vezes lhes são indesejáveis.
Falo do contista, tão-só, no rastro daquilo que soube ele já disse em outra ocasião (1984), nas páginas do meu livro Leitura e Conjuntura. Pois sim: ali consignei que esse grande contista cearense "é um nome que está a merecer um reparo por parte da crítica que presentemente se pratica nos melhores centros culturais do País". E o que veio depois? Nada, pois AIRTON MONTE nada mais publicou até hoje em forma de livro ou de brochura.
Isso não desqualifica sua obra, contudo, mas priva seus leitores do gostoso prazer de ler a sua ficção, especialmente os seus contos, os quais, com efeito, revelam um engajamento humano quase que sem precedentes, entre todos os contistas seus contemporâneos. São textos graves que dissecam o cotidiano da marginalidade e penetram os recônditos do desespero e da tragédia dos perseguidos pelos fantasmas de uma sociedade opressora.
Seus contos são relatos doloridos e pungentes da odisséia dos drogados da vida, dos enlouquecidos e embriagados pela sordidez e o absurdo existenciais, refletindo eles igualmente, por assim dizer, o cômico e o patético do estrangulado universo social que paulatinamente AIRTON MONTE vem resgatando.
Utilizando as suas estórias como instrumento de denúncia, o autor às vezes transfigura o seu discurso para uma linguagem quase que jornalística, mostrando-nos assim que o cronista nele é uma possessão literária irrenunciável. E que o artista é um ser também demiurgo, tanto mais quanto procura alcançar a plenitude artesanal dos seus textos.
Porém o mimetismo da técnica de construção textual em nada prejudica a densidade dos seus relatos ficcionais e alegóricos. Muito pelo contrário, ele plastifica com isso o recorte estético do seu texto, dando-lhe dimensão conteudística impossível às vezes de ser arquitetada nos limites da forma literária que lhe é conseqüente.
O que importa de tudo, porém, é que AIRTON MONTE demonstra conhecer os segredos e a problemática dos modernos métodos exigidos pela escritura literária. E assim, naquilo que os seus contos (e também as suas crônicas) exibem de apreensão do real, é que AIRTON MONTE demonstra possuir a consciência de que a sua produção independe do gênero em que a mesma venha a ser enquadrada.
Afora esse seu novo livro de crônicas, intitulado Além do Nevoeiro (2001), e Conversas de Botequim (1980), que é também o seu único livro de poemas, AIRTON MONTE é autor de O Grande Pânico (1979), Homem Não Chora (1981) e Alba Sangüinea (1983), isto sem esquecer a sua performance em outros gêneros literários, entre os quais a experiência teatral é um exemplo eloqüente, com certeza.
O cronista que ora se revela em livro, como já disse, é por igual um artista de qualificação superior. Espero que os leitores de AIRTON MONTE, que são muitos, se deliciem também com as suas crônicas agora embaladas em um outro objeto cultural – o livro, que tudo tem, mais do que o jornal, talvez, para transformar AIRTON MONTE no cronista ainda mais eterno.
Arthur Eduardo Benevides
Aurora Miranda Leão (teatro)
Cor de Pecado e Gosto de Diversão
O Festival Mais Cinematográfico do País
Teatro, A Mais Difícil e Mais Misteriosa das Artes
Quando o Cinema Vira Festa de Ritmos e Cores!
Entreatos: Luz Sobre um Personagem Fascinante
Bilhete a José Wilker, Senhor do Destino
Os Dourados e Rebeldes Anos de Gilberto Braga
Vinte e Um Anos sem Janete Clair
As Filigranas da Interpretação de Matheus Nachtergaele
Alguma coisa Acontece Quando Ouço Wisnik
Consagração de Um Mestre das Novelas
Lea Garcia: Como a Luz no Coração
De Como Euclides da Cunha Encantou as Noites Cariocas
A Escura Alma dos Homens sem Afeto
A Crítica Refinada e Acerba de Gilberto Braga
A Escritura Divina de Bressane
O Cinema Brasileiro é um Cafundó!
Céu de Evidência Solar Denuncia Desamor
Louvando o que bem merece, deixo o que é ruim de lado...
O ano em que nossos pais precisam ir ao Cinema
Para Não Desbotar da Memória das Nossas Novas Gerações
Passeio Feliz pelas Entranhas da Cearensidade
Vídeos Ambientais e Muita Beleza Incluem Caparaó no Circuito Audiovisual Brasileiro
Vídeos Ambientais e Muita Beleza Incluem Caparaó no Circuito Audiovisual Brasileiro
Jóia da Arquitetura de São Luís Festeja Rosamaria Murtinho e Vinícius de Oliveira
Argentina, Muito Superior, ainda que derrotada
Se Você Crê em Deus, Erga as Mãos para o Céu e Agradeça...
Irma Vap - Porque Teatro e Cinema Bebem na Mesma Fonte
Como Deixar uma Nação Emocionada
Ecos de Gramado e Mais Luzes para o Cinema Nacional
As Incansáveis Bobagens de Lobão
Fábio Assunção: Qualquer Coisa Além da Beleza
A Emoção e a Glória de Ser Boca
Lennon: Um Feminista Cada Vez Mais Necessário!
De Olhos Marejados com a Delicadeza
O Festival de Cinema Mais Caloroso do Brasil
Beatriz Alcântara
Dimas Macedo (ensaios & poesias)
Esboço Sintético de Farias Brito
Literatura e Escritores Cearenses
Vida e Tempo de Filgueiras Lima
Responsabilidade Jurídica Ambiental
Resistência Política à Opressão
Esboço Sintético de Farias Brito
Aurélia Teixeira Férrer - Centenário de uma Mulher Exemplar
Mano Alencar – O Poeta das Cores
Eduardo Campos
Eduardo Diatahy de Menezes (ensaios)
Estrigas (ensaios)
Gerardo Mello Mourão (vinhos)
João Gonçalves Filho, Bosco (ensaios)
Estratégias Para Mudar o Mundo
Educação: Caminho da Cidadania
Empresa: Equação da Excelência
Empresa. Estratégica de Valores Agregados
O grande desafio para a empresa nos dias atuais está no seu patrimônio humano
Bento XVI: Um Novo Peregrino da Paz.
Cidadania - Responsabilidade social
Mercado - Empresa e comunicação
Mercado: Consórcio e Crescimento
João Soares Neto (ensaios)
Breve Visita à Casa de Natércia
Entrevista com José Marcelo Linhares
Entrevista com José Chico Anysio
Entrevista com José Raymundo Costa
Entrevista com Lúcio Brasileiro
João Soares Neto Entrevista José Alcides Pinto
José Alcides Pinto (ensaios e poesias)
José Feliciano de Carvalho (ensaios)
L. G. Miranda Leão (cinema)
Fala Costa-Gavras Sobre Temas & Filmes
O Abandono da África pelo Ocidente em Filme Devastador
De Olhos Vendados sob o Signo do Medo
Terra dos Mortos - Retorno dos Zumbis como Personificação do Inverossímil
Da "Ilha" Distópica à Fuga Impossível de Dois Clones
Dogville, de von Trier, e Alguns Reparos
Teoria do Autor - Questões de Idiossincrasias e Estilo
Alexandre Astruc e a Teoria do Autor
Conspiração entre Clichês e Acertos de Pollack
Sam Peckinpah - A Estética da Violência no Cinema
A Queda - Representação da Realidade via Filme Exponencial
Cinema Perde Mestre do "Thriller": Jacques Deray
Denúncia da Omissão Injustificável: "Amém", de Costa-Gavras
Freud Redivivo em Comédia Espanhola Satírica e Picante
"Morangos Silvestres", de Ingmar Bergman
Como Cineastas e Críticos Vêem Bergman
Quem é Konstantin Costa-Gavras
Reflexões de Truffaut Sobre Seu 18º Filme
TV Exibe o Inédito "O Quarto Verde", De Truffaut
A Desmi(S)tificação do Cinema em Obra Exemplar de Truffaut
Sai de Cena Outro Cineasta de Escol: John Schlesinger
TV a Cabo Repassa a Galeria Kirk Douglas
Filme Polêmico Vale por Algumas Cenas Memoráveis
Painel realista sob o olhar de Monique
De volta ao ponto de partida e sem solução
Final Pífio no Jogo Inteligente de Falsas Aparências
Fantasia Delirante de Mistério, Terror e Crueldade
Filme Noir Cresce com Imagens de Impacto
Amor Impossível Traduzido em Belas Imagens
Arbítrio e Violência de Uma Guerra sem Fim
Conflito de Paralelismos na Saga dos Imigrantes
Desaparecemos na poeira do tempo, como os sonhos esquecidos...
"L’Avventura" - Marco da Tetralogia de Antonioni
Missão Inverossímil e Inacreditável se Autodestrói em 125min
Recriação Exemplar de Assalto com Fecho Surpreendente
Amargos ressábios colidem no drama humano de todo dia
Caretas e Ironias de Situação em Comédia Hilariante
Co-produção Espanha-Cuba-França Surpreende
Imagens da Violência: O Homem como Lobo do Homem
Louis Malle, Mestre do Documentário e do Filme Adulto
Pádua Lopes (Os Sertões)
Paulo Quezado (direito)
Execução Provisória de Sentença Condenatória Recorrível
O STF e a Advocacia no Século XXI
Quebra de Sigilo Bancário e Liberdade de Informação Jornalística ? O Caso do Caseiro “Nildo”
Crime Hediondo e Progressão de Regime - Uma Análise à Luz da Dogmática Constitucional Moderna
Paulo Tadeu Oliveira (ensaios)
Ricardo Bacelar
Sérgia Miranda (letras jurídicas)
Ubiratan Aguiar (ensaios & poesias)